Salário digno para os profissionais de Enfermagem

Projeto de Lei 2573/2011, que fixa pisos salariais para Enfermeiros, Técnico de Enfermagem, Auxiliar de Enfermagem e Parteiras. Altera Lei 7.498/86, que regulamenta o exercício da Enfermagem. Projeto de Lei 4924/2009, que fixa pisos salariais para Enfermeiros, Técnico de Enfermagem, Auxiliar de Enfermagem e Parteiras. Altera Lei 7.498/86, que regulamenta o exercício da Enfermagem.

sábado, 16 de julho de 2011

PRESIDENTE DO COREN-RJ FALA SOBRE AS PRIORIDADES DO GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO


A saúde dos escargots


Por Pedro de Jesus

Presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro



É provável que o governador Sérgio Cabral nunca tenha ouvido falar do psicólogo americano Abraham Maslow, que criou a teoria da hierarquia de necessidades. Segundo Maslow, as necessidades de nível mais baixo sempre devem ser satisfeitas antes das necessidades de nível mais alto. Daí, surgiu a Pirâmide de Maslow, que tem como base as necessidades físicas, fisiológicas e, no topo, a necessidade de autorrealização.

Se tirarmos a base do indivíduo, ele não tem condições de sobrevivência. Pois eis que o governador acaba de despejar uma unidade de suma importância para a saúde pública para instalar uma escola de... gastronomia francesa. Trata-se da Escola Técnica Enfermeira Isabel dos Santos, dedicada à capacitação de profissionais de saúde para o SUS. A sede, que ficava na Rua da Passagem, em Botafogo, foi cedida ao Cordon Bleu.

O que mais entristece é a justificativa: treinar profissionais de gastronomia para Copa e Olimpíada. Será que ter gente especializada em cozinha francesa é realmente mais emergencial e necessário do que pessoal treinado para atender pacientes? Creio que não. Estamos falando de uma escola que tem a mesma idade do SUS: 22 anos. Foi criada em 1º de novembro de 1989, e no ano seguinte ainda recebeu o nome de uma sanitarista - EnfermeiraIzabel dos Santos - que tem importância essencial para o ensino público de saúde. E esta escola não para de inovar em projetos de formação.

E o mais incrível é que recursos previstos no Projeto de Fortalecimento e Modernização da Escola, da ordem de R$ 500 mil, não puderam ser executados devido à "impossibilidade de comprovar a propriedade do terreno como um bem público".

Ora, se os recursos estavam bloqueados por causa disto, o que aconteceu, que, de repente o impedimento legal desaparece? Fica a pergunta: a democratização da gastronomia francesa chegará antes da democratização do direito a saúde e a educação profissional de nível técnico? O que está na base da pirâmide social de necessidades? Saúde para a população ou escargots?

Fonte: COREN RJ

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