Salário digno para os profissionais de Enfermagem

Projeto de Lei 2573/2011, que fixa pisos salariais para Enfermeiros, Técnico de Enfermagem, Auxiliar de Enfermagem e Parteiras. Altera Lei 7.498/86, que regulamenta o exercício da Enfermagem. Projeto de Lei 4924/2009, que fixa pisos salariais para Enfermeiros, Técnico de Enfermagem, Auxiliar de Enfermagem e Parteiras. Altera Lei 7.498/86, que regulamenta o exercício da Enfermagem.

domingo, 8 de julho de 2012

ENFERMAGEM REAGE AO GOLPE DA CÂMARA E PREPARA-SE PARA GREVE



A agenda não cumprida dia 27, na Câmara dos Deputados, em Brasília, foi um show de desrespeito a todos os brasileiros e, em especial, aos profissionais da Enfermagem. A categoria, que deveria ser a protagonista da pauta do dia, acabou por formar a plateia de um circo de mentiras, em que alguns canastrões sem qualquer talento para a comédia, evoluíam descaradamente fazendo do Plenário um picadeiro. Assim, como espectadores revoltados pela absoluta falta de respeito, a Enfermagem foi (mal) tratada na Casa do Povo, diante das manobras conduzidas pelos deputados Arlindo Chinaglia e Jilmar Tatto (ambos de SP), e ordenadas pelos ministros Alexandre Padilha (Saúde) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais). Tudo orquestrado pelo governo federal com o objetivo de derrubar a votação do PL 2295/00, mais conhecido como o Projeto das 30 horas. 



A reação das dezenas de manifestantes que lotaram as galerias da Câmara não passou despercebida. Vaias e gritos de guerra – mostraram claramente que a classe não vai se conformar e que vem chumbo-grosso por aí: nas redes sociais, a possibilidade de uma paralisação nacional da categoria já vem sendo aventada.

Nos discursos que se sucederam por todo o dia não faltaram elogios à Enfermagem, dando conta da sua importância para a sociedade. A grande maioria dos parlamentares assumiu seu voto positivo publicamente. Mas, na prática, a situação era muito diferente: sórdidas maquinações tramadas nos bastidores, em nome do governo, acabaram por frustrar os profissionais da saúde, que há 13 anos batalham pela humanização da sua jornada de trabalho. E, mais uma vez, a categoria teve que engolir a amarga derrota.

As desculpas para a não aprovação do PL pelo governo são várias e algumas beiram o ridículo. A ministra das Relações Institucionais Ideli Salvatti botou na conta até da crise econômica mundial. Mesmo com um atestado de viabilidade financeira para a implantação do projeto assinado pelo Dieese, o governo insiste que a redução da jornada – e consequentemente o necessário aumento nos quadros da Enfermagem em cerca de 30% - traria prejuízos bilionários às finanças públicas e privadas, abalando principalmente as prefeituras, o SUS, os hospitais-escolas e as Santas Casas. Porém, comenta-se nos bastidores, que a razão de tanto empenho em jogar contra a jornada das 30 horas está no forte lobby dos setores privado e filantrópico.

A Enfermagem conhece a sua força e seu lugar na sociedade. O que pode acontecer se a categoria cruzar os braços? Nenhum movimento de paralisação neste País poderá se comparar aos estragos que provocaria uma greve geral de enfermeiros, técnicos, auxiliares e parteiras. Será que os nobres parlamentares e o Executivo já se deram conta de que a Enfermagem vai reagir? Que a Onda Branca sairá às ruas para pedir apoio e explicar à sociedade suas reivindicações?

O Presidente da Câmara, Marco Maia, garantiu em Plenário que não descansará enquanto não reagendar a matéria e que pedirá a obstrução das medidas provisórias para trazer de volta à pauta, o mais breve possível, a votação da jornada de 30 horas. Nas redes sociais, já há um forte movimento para promover a paralisação total da categoria, às vésperas do próximo agendamento da votação do PL 2295/00, com o propósito de só retornar ao trabalho após a tão aguardada vitória.

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